Médico formado em Harvard que nunca clinicou e virou mestre do thriller científico. Escreveu Jurassic Park e O Mundo Perdido, dirigiu Westworld e criou a série ER. Seus livros pegavam ciência de ponta, como genética e nanotecnologia, e perguntavam o que acontece quando ela sai do controle. Vendeu milhões e foi adaptado sem parar.
John Michael Crichton nasceu em 23 de outubro de 1942, em Chicago. Estudou em Harvard, onde se formou com distinção máxima em 1964, e seguiu para a Escola de Medicina de Harvard, de onde saiu médico em 1969. Nunca exerceu a profissão. Com 2,06 metros de altura, era difícil não reparar nele, mas o que chamou atenção mesmo foi a velocidade com que ele escrevia enquanto ainda estava na faculdade.
Os primeiros livros saíram com pseudônimo. Como John Lange, publicou thrillers de bolso a partir de Odds On, de 1966. Como Jeffery Hudson, lançou A Case of Need (1968), um suspense médico que levou o Prêmio Edgar de Melhor Romance em 1969. Com o irmão Douglas, assinou Dealing como Michael Douglas. O nome verdadeiro só foi para a capa em O Enigma de Andrômeda, de 1969, a história de cientistas tentando conter um micro-organismo vindo do espaço. O livro virou best-seller e definiu a marca dele: ciência real, prazos curtos e personagens correndo contra o relógio.
Crichton também quis estar atrás da câmera. Escreveu e dirigiu Westworld (1973), sobre um parque temático com robôs que dá errado, o primeiro longa a usar imagens 2D geradas por computador. Depois dirigiu Coma (1978) e The First Great Train Robbery (1978), adaptado do próprio romance de 1975 sobre um assalto a trem na Inglaterra vitoriana. A ideia de um parque que perde o controle ficaria com ele por muito tempo.
Ela voltou com força em Jurassic Park, de 1990: um bilionário recria dinossauros a partir de DNA antigo e monta um parque numa ilha da Costa Rica. O livro juntava genética, teoria do caos e terror, e Steven Spielberg o levou ao cinema em 1993, abrindo uma das franquias mais lucrativas de Hollywood. Crichton escreveu a continuação, O Mundo Perdido, em 1995, que também virou filme. Nos anos 1990 ele emplacou sucesso atrás de sucesso: Sol Nascente (1992), Disclosure (1994), Linha do Tempo (1999), quase todos adaptados para a tela.
Na televisão, criou ER, a série de pronto-socorro que ficou no ar de 1994 a 2009, com ele como produtor executivo. A série ganhou o Peabody em 1994 e o Emmy de Melhor Série Dramática em 1996. No mesmo período ele recebeu um prêmio técnico da Academia de Cinema, em 1994, algo raro para um romancista.
O método era o de um pesquisador: ler muito sobre um tema de ponta, montar um cenário plausível e depois perguntar o que acontece quando tudo falha. Nanotecnologia em Presa (2002), engenharia genética em Next (2006), clima em Estado de Medo (2004). Esse último gerou debate pela forma como tratava o aquecimento global, e Crichton defendeu suas posições em palestras e entrevistas.
Crichton morreu em 4 de novembro de 2008, em Los Angeles, aos 66 anos, de um linfoma que não tinha sido tornado público. Ainda vieram livros: Pirate Latitudes, achado no computador dele e publicado em 2009; Micro, terminado por Richard Preston e lançado em 2011; e Dragon Teeth, escrito em 1974 e publicado em 2017. Os dinossauros dele seguem nas telas até hoje.
Foto: Jon Chase photo/Harvard News Office / CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons
Fontes: en.wikipedia.org · commons.wikimedia.org
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