Escritor espanhol, nascido em Barcelona, que começou na literatura juvenil e virou fenômeno mundial com A Sombra do Vento, de 2001. O livro abriu o ciclo O Cemitério dos Livros Esquecidos, quatro romances de mistério gótico na Barcelona do pós-guerra, traduzidos para mais de 50 línguas. Morreu em 2020, em Los Angeles.
Carlos Ruiz Zafón nasceu em Barcelona em 25 de setembro de 1964. A cidade onde cresceu virou o cenário de quase tudo o que escreveu: ruas estreitas, livrarias antigas, casarões fechados e uma memória pesada da Guerra Civil e do pós-guerra. Antes dos livros, ele trabalhou com publicidade, e foi ali que aprendeu a contar muita coisa em pouco espaço.
A carreira literária começou pela literatura juvenil. O Príncipe da Névoa, de 1993, ganhou o prêmio Edebé de literatura juvenil e abriu caminho para O Palácio da Meia-Noite (1994) e As Luzes de Setembro (1995). Os três formam a chamada Trilogia da Névoa, com mistério, casas assombradas e um vilão que cobra promessas. Marina, de 1999, fecha essa fase e já anuncia a Barcelona sombria que viria depois.
Nos anos 1990, Zafón se mudou para Los Angeles e passou um tempo escrevendo roteiros. Ele dizia que o cinema moldou sua escrita e que pensava as cenas como planos de câmera. Nos livros, isso aparece na luz, no clima e no corte entre capítulos, sempre com algo à espreita na sombra.
Em 2001 saiu A Sombra do Vento, pela Planeta. Daniel, filho de um livreiro, é levado ao Cemitério dos Livros Esquecidos, uma biblioteca secreta onde cada visitante adota um livro e se compromete a protegê-lo. Ele escolhe um romance de Julián Carax e descobre que alguém está queimando todos os outros exemplares do autor. O livro havia ficado entre os finalistas do prêmio Fernando Lara e foi crescendo no boca a boca até virar fenômeno. A tradução para o inglês, de Lucia Graves, saiu em 2004, e as vendas passaram de 15 milhões de exemplares.
A partir daí, Zafón construiu um ciclo de quatro romances que se cruzam sem depender um do outro. O Jogo do Anjo (2008) volta aos anos 1920 com um escritor contratado por um editor misterioso. O Prisioneiro do Céu (2011) conta o passado de Fermín, o amigo inesquecível de Daniel. O Labirinto dos Espíritos (2016) fecha a série com uma investigação nos porões do regime franquista. O autor dizia que os livros podem ser lidos em qualquer ordem.
O estilo mistura romance gótico, folhetim do século 19 e suspense. As frases são cheias de imagem e humor ácido, os vilões são grandes e a paixão pelos livros está em cada página. Por trás do mistério, há um retrato da censura, do medo e da violência da Espanha de Franco. A obra foi publicada em mais de 45 países e traduzida para mais de 50 línguas.
Zafón morreu em Los Angeles em 19 de junho de 2020, aos 55 anos, vítima de câncer. Meses depois, a Planeta lançou A Cidade de Vapor, reunião de contos que ecoam os personagens e temas do Cemitério dos Livros Esquecidos. Até outubro de 2026, a saga não ganhou adaptação lançada para cinema ou TV.
Foto: Mutari / Public domain via Wikimedia Commons
Fontes: en.wikipedia.org
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