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Frank Herbert
Autores

Frank Herbert

Criador de Duna

Jornalista do Noroeste americano que passou seis anos montando Duna, um romance recusado por quase vinte editoras. Publicado em 1965, o livro ganhou o Nebula e o Hugo, rendeu cinco continuações escritas por ele e virou a base de filmes, séries e de toda uma linhagem da ficção científica que mistura ecologia, religião e política.

Nascimento08/10/1920 · Tacoma, Washington, EUAMorte11/02/1986PaísEstados UnidosNo SagaspediaDuna — Livros · Duna

Trajetória

Franklin Patrick Herbert Jr. nasceu em 8 de outubro de 1920, em Tacoma, no estado de Washington. Cresceu no Noroeste Pacífico, entre florestas, rios e o litoral úmido da região, uma paisagem que ele nunca deixou de observar com olhos de repórter. Em 1938 saiu de casa com a irmã caçula e foi morar com os tios em Salem, no Oregon, onde terminou o ensino médio. Mais tarde frequentou a Universidade de Washington, mas não chegou a se formar.

Antes de ser romancista, Herbert foi jornalista por mais de três décadas. Conseguiu o primeiro emprego no Glendale Star em 1939, mentindo a idade, e depois passou pelo Oregon Statesman, onde também fotografava. Na Segunda Guerra serviu como fotógrafo nos Seabees, a engenharia da Marinha americana, e recebeu baixa médica em 1942. Voltou às redações: Oregon Journal, Seattle Star, Santa Rosa Press-Democrat e quase dez anos na revista California Living, do San Francisco Examiner. Entre 1969 e 1972 cobriu educação no Seattle Post-Intelligencer. Escrevia ficção nas horas vagas, e o primeiro romance, The Dragon in the Sea, saiu primeiro em capítulos numa revista em 1955.

A ideia de Duna nasceu de uma pauta que nunca virou matéria. Herbert foi escalado para escrever sobre as dunas do Oregon, perto de Florence, onde o governo tentava segurar a areia com plantas. Juntou muito mais material do que um artigo pedia e passou anos ruminando aquilo: deserto, água como riqueza, religião, poder. Começou a pesquisa em 1959 e levou cerca de seis anos para fechar o livro. A revista Analog publicou a história em duas partes, Dune World, em 1963, e Prophet of Dune, em 1965.

Achar editora foi a parte difícil. Perto de vinte casas recusaram o manuscrito, longo demais e estranho demais para a época. Quem apostou foi Sterling E. Lanier, da Chilton Books, uma editora conhecida por manuais de conserto de carro, com um adiantamento de 7.500 dólares. Herbert reescreveu boa parte do texto e Duna chegou às livrarias em 1965. O livro ganhou o primeiro Prêmio Nebula de Melhor Romance e, em 1966, dividiu o Hugo com ...And Call Me Conrad, de Roger Zelazny. Com o tempo, virou referência obrigatória da ficção científica.

O que faz Herbert diferente é a forma como ele junta camadas. Duna é aventura no deserto, mas também é um estudo de ecologia, de religião usada como ferramenta política e do perigo de seguir um líder carismático. Herbert foi um dos primeiros autores do gênero a levar a ecologia e o pensamento sistêmico para o centro da trama, e o modo de vida dos Fremen deve muito ao que ele viu nas dunas do Oregon. Ele voltou ao universo cinco vezes: Messias de Duna (1969), Filhos de Duna (1976), Imperador-Deus de Duna (1981), Hereges de Duna (1984) e Herdeiras de Duna (1985). Fora de Arrakis, escreveu livros como Destination: Void, The Dosadi Experiment e The White Plague.

Na vida pessoal, casou três vezes e teve três filhos. A segunda esposa, Beverly, morreu em 1984; no ano seguinte ele se casou com Theresa Shackelford. Herbert morreu em 11 de fevereiro de 1986, em Madison, no Wisconsin, aos 65 anos, de uma embolia pulmonar, enquanto se recuperava de uma cirurgia contra um câncer no pâncreas.

Duna seguiu vivo depois dele. David Lynch levou a história ao cinema em 1984, o canal Sci Fi fez duas minisséries, em 2000 e 2003, e Denis Villeneuve dirigiu Duna (2021) e Duna: Parte Dois (2024). Nos livros, o filho Brian Herbert e Kevin J. Anderson continuam a saga a partir das anotações deixadas por Frank, com trilogias de prelúdio, como a que começa em Dune: House Atreides, e dois romances que fecham a linha principal com base no esboço que ele deixou para um sétimo livro.

Obras, em ordem de publicação

  • 1965
    Duna (Dune)
    Paul Atreides chega com a família ao planeta-deserto Arrakis, a única fonte da especiaria. Amazon
  • 1966
    Destination: Void
    A tripulação de uma nave colonial precisa criar uma consciência artificial para seguir viagem. Amazon
  • 1969
    Messias de Duna (Dune Messiah)
    Doze anos depois, Paul lida com o peso do império que ajudou a criar. Amazon
  • 1976
    Filhos de Duna (Children of Dune)
    Os gêmeos de Paul crescem num Arrakis que começa a mudar de cara. Amazon
  • 1977
    The Dosadi Experiment
    Um agente investiga um planeta usado como experimento secreto. Amazon
  • 1981
    Imperador-Deus de Duna (God Emperor of Dune)
    Milênios depois, um único governante segura o destino da humanidade. Amazon
  • 1982
    The White Plague
    Um cientista cria uma praga que atinge só mulheres, num thriller sobre vingança. Amazon
  • 1984
    Hereges de Duna (Heretics of Dune)
    As Bene Gesserit disputam o controle de um universo espalhado após a Dispersão. Amazon
  • 1985
    Herdeiras de Duna (Chapterhouse: Dune)
    A ordem Bene Gesserit se prepara para enfrentar um inimigo vindo de fora. Amazon

Foto: Unknown photographer / Public domain via Wikimedia Commons

Fontes: en.wikipedia.org · commons.wikimedia.org

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