Professor de Oxford e filólogo britânico que inventou línguas e depois um mundo para elas. Escreveu O Hobbit e O Senhor dos Anéis, que deram o molde da fantasia moderna. Morreu em 1973, e o filho Christopher publicou O Silmarillion e outras lendas da Terra-média.
John Ronald Reuel Tolkien nasceu em 3 de janeiro de 1892 em Bloemfontein, capital do então Estado Livre de Orange, hoje parte da África do Sul. O pai, gerente de banco, morreu quando ele tinha uns três anos, e a mãe, Mabel, já tinha levado os dois filhos para a região de Birmingham, na Inglaterra. Eles moraram em Sarehole, um vilarejo de campos e moinho que ficou na memória do autor. Mabel morreu em 1904, quando ele tinha 12 anos, e deixou Tolkien e o irmão Hilary sob a tutela do padre Francis Morgan, do Oratório de Birmingham.
Estudou na King Edward's School e entrou no Exeter College, em Oxford, em 1911. Começou em letras clássicas, trocou para língua e literatura inglesa e se formou com honras máximas em 1915. Desde a adolescência inventava idiomas. Desse passatempo nasceram o quenya e o sindarin, as línguas élficas, e boa parte da Terra-média surgiu para dar um lugar e uma história a essas línguas.
Em março de 1916 casou com Edith Bratt, seu amor de juventude, e poucos meses depois estava no front do Somme como oficial dos Fuzileiros de Lancashire. Pegou febre das trincheiras em outubro e foi mandado de volta para casa em novembro. Na recuperação começou a dar forma às primeiras lendas da mitologia que acompanharia o resto da vida dele. O casal teve quatro filhos: John, Michael, Christopher e Priscilla.
Depois da guerra, o primeiro emprego foi no Oxford English Dictionary, cuidando de palavras com W. Em 1920 foi para a Universidade de Leeds e virou professor em 1924. No ano seguinte voltou a Oxford como professor de anglo-saxão e, a partir de 1945, ocupou a cátedra Merton de língua e literatura inglesa até se aposentar em 1959. Lá fez parte dos Inklings, grupo informal de escritores que lia textos uns para os outros. O amigo mais próximo do grupo era C. S. Lewis, que em 1961 indicou Tolkien ao Nobel de Literatura.
O Hobbit nasceu como história para os filhos. Em 1936 o manuscrito chegou a Susan Dagnall, da editora George Allen & Unwin, e o livro saiu em 1937. O sucesso fez o editor pedir uma continuação. Ela levou mais de dez anos e virou algo bem maior: O Senhor dos Anéis, publicado em três volumes entre 1954 e 1955. A premissa é simples de contar. Um hobbit herda um anel que o Senhor do Escuro quer de volta, e alguém precisa levá-lo para longe. O livro ganhou o International Fantasy Award em 1957, virou fenômeno entre universitários americanos nos anos 1960 e definiu o molde da fantasia moderna, com mapas, línguas, genealogias e milênios de história por trás de cada cena. Em 1972 ele recebeu o título de Comandante da Ordem do Império Britânico.
Edith morreu em 1971, e Tolkien em 2 de setembro de 1973, em Bournemouth. O filho Christopher assumiu o arquivo do pai e organizou O Silmarillion, lançado em 1977, com as lendas dos Dias Antigos. Depois vieram Contos Inacabados (1980), a série The History of Middle-earth e as versões completas de Os Filhos de Húrin (2007), Beren e Lúthien (2017) e A Queda de Gondolin (2018).
Na tela, Ralph Bakshi fez uma animação em 1978 que cobria só a primeira metade da história, e o estúdio Rankin-Bass levou O Hobbit e O Retorno do Rei à TV. A virada veio com a trilogia de Peter Jackson, de 2001 a 2003, seguida por outros três filmes de O Hobbit, de 2012 a 2014. A Amazon comprou os direitos de TV em 2017 e lançou a série Os Anéis de Poder em 2022.
Fontes: en.wikipedia.org
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