Romancista húngaro nascido em Gyula em 1954, famoso pelas frases que atravessam páginas inteiras sem ponto final. Estreou com Sátántangó em 1985 e virou parceiro do cineasta Béla Tarr, que levou vários livros dele para a tela. Ganhou o Man Booker International em 2015 e o Nobel de Literatura em 2025.
László Krasznahorkai nasceu em 5 de janeiro de 1954 em Gyula, cidade pequena no leste da Hungria, perto da fronteira com a Romênia. O pai era advogado, a mãe trabalhava na previdência. No colégio estudou latim e tocava piano em bandas de jazz. Tentou Direito duas vezes, desistiu, e se formou em letras húngaras pela Universidade Eötvös Loránd, em Budapeste, em 1983, com um trabalho sobre o escritor Sándor Márai. O primeiro conto saiu numa revista em 1977.
A estreia em livro, em 1985, já mostrou quem ele era. Sátántangó se passa numa fazenda coletiva caindo aos pedaços, onde os moradores ouvem que um homem dado como morto está voltando. Os doze capítulos andam para a frente e depois para trás, como os passos de um tango. E as frases não acabam: são blocos longos, sem parágrafo, que puxam o leitor como uma correnteza. Esse virou o sotaque Krasznahorkai.
O cinema entrou cedo. O diretor Béla Tarr, amigo próximo, trabalhou com ele em vários filmes. Sátántangó virou um longa de mais de sete horas em 1994. The Melancholy of Resistance, de 1989, deu origem a Harmonias de Werckmeister, de 2000. A parceria terminou com O Cavalo de Turim, em 2011, que o escritor disse ser o último projeto dos dois.
Com a queda do bloco comunista, ele começou a rodar o mundo. Passou um ano em Berlim Ocidental em 1987, foi à Mongólia e à China em 1990 e morou temporadas em Kyoto. A estética do Extremo Oriente mudou a escrita dele, e Seiobo There Below, de 2008, é o melhor retrato dessa fase. Enquanto escrevia War and War, de 1999, chegou a se hospedar no apartamento de Allen Ginsberg em Nova York.
Em inglês, os livros chegaram pelas mãos de George Szirtes e Ottilie Mulzet. Susan Sontag o chamou de mestre húngaro do apocalipse. Em 2015 ele virou o primeiro húngaro a ganhar o Man Booker International. Em 2019, Baron Wenckheim's Homecoming levou o National Book Award de literatura traduzida nos Estados Unidos.
Em outubro de 2025 veio o Nobel, com a Academia Sueca destacando uma obra que reafirma o poder da arte no meio do terror apocalíptico. Ele é o segundo húngaro premiado, depois de Imre Kertész. No Brasil, a Companhia das Letras lançou Sátántangó em 2022, com tradução de Paulo Schiller, e anunciou O retorno do Barão Wenckheim e Herscht 07769.
Foto: Miklós Déri / CC BY-SA 4.0 via Wikimedia Commons
Fontes: en.wikipedia.org · publishnews.com.br · elcaribe.com.do
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