Escritora, advogada e ativista do estado de Karnataka, no sul da Índia. Escreve em canarês e passou décadas contando a vida de mulheres muçulmanas comuns. Em 2025, Heart Lamp, traduzido por Deepa Bhasthi, virou o primeiro livro em canarês e a primeira coletânea de contos a ganhar o International Booker Prize.
Banu Mushtaq nasceu em 3 de abril de 1948 em Hassan, cidade do atual estado de Karnataka, numa família muçulmana. Aos oito anos foi estudar numa escola missionária onde as aulas eram em canarês, a língua do estado. É nessa língua que ela escreve até hoje.
A escrita veio tarde. Ela começou a publicar por volta dos 29 anos, pouco depois de ser mãe, e desde o início o foco foram as mulheres: esposas, filhas e viúvas presas entre regras de família, de religião e de dinheiro. Antes de virar nome conhecido, trabalhou como repórter do jornal Lankesh Patrike, passou alguns meses na All India Radio em Bengaluru e seguiu carreira como advogada. Essa vivência de tribunal e de redação aparece nos contos, que têm olho para o detalhe do cotidiano e pouca paciência para discursos.
Desde os anos 1980 ela participa de movimentos contra o fundamentalismo e a injustiça social em Karnataka. Em 2000, depois de defender o direito de mulheres muçulmanas rezarem em mesquitas, ela e a família sofreram um boicote social anunciado na comunidade, episódio bastante noticiado na Índia.
Ao longo da carreira publicou seis coletâneas de contos, um romance, um livro de ensaios e um de poesia. Em 1999 recebeu o prêmio da Academia de Literatura de Karnataka. Um dos contos, Karinaagaragalu, virou o filme Hasina (2003), dirigido por Girish Kasaravalli, um dos nomes fortes do cinema em canarês.
O salto para fora da Índia veio pelas mãos da tradutora Deepa Bhasthi. A seleção Haseena and Other Stories saiu em inglês em 2024, e a tradução levou um prêmio PEN Translates. Em seguida veio Heart Lamp, com doze contos escolhidos da obra dela. Em maio de 2025 o livro ganhou o International Booker Prize, e autora e tradutora dividiram o prêmio. Foi a primeira vez que uma obra em canarês chegou à lista do prêmio, e também a primeira coletânea de contos a vencer.
Para quem quer começar, Heart Lamp é a porta de entrada natural: contos curtos, cheios de humor seco, sobre gente que tenta viver com alguma dignidade dentro de regras que não escolheu.
Foto: Kannan Shanmugam, Shanmugam Studio, Kollam, Kerala, India / CC BY-SA 4.0 via Wikimedia Commons
Fontes: en.wikipedia.org
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