Jornalista e escritor mineiro radicado no Rio, Ruy Castro é um dos biógrafos mais lidos do Brasil. Contou a vida de Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda, escreveu a história da bossa nova e ocupa a cadeira 13 da Academia Brasileira de Letras. Em 2025 levou o Jabuti de Livro do Ano com O ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim.
Ruy Castro nasceu em 26 de fevereiro de 1948 em Caratinga, no interior de Minas Gerais, mas a cidade que ele adotou como tema e endereço é o Rio de Janeiro. Começou no jornalismo em 1967 e passou por redações do Rio e de São Paulo. Hoje publica crônicas na Folha de S.Paulo quatro vezes por semana.
O primeiro grande livro veio em 1990: Chega de Saudade, a história da bossa nova contada a partir dos bastidores, dos bares e dos apartamentos onde João Gilberto, Tom Jobim e companhia mudaram a música brasileira. A receita que ele usou ali virou marca registrada: pesquisa enorme, centenas de entrevistas e um texto leve, de cronista, que lê como romance.
Com essa receita vieram as biografias que fizeram o nome dele. O Anjo Pornográfico (1992) conta a vida de Nelson Rodrigues. Estrela Solitária (1995) acompanha Garrincha, do campo de Pau Grande à glória e à decadência. Carmen (2005) refaz a trajetória de Carmen Miranda, da Lapa a Hollywood. Os dois últimos deram a ele o Prêmio Jabuti.
O Rio é o outro grande assunto. Ela é Carioca (1999) é uma enciclopédia afetiva de Ipanema, e Metrópole à Beira-Mar (2019) mostra a cidade fervendo nos anos 1920. Ele também escreveu sobre o samba-canção em A Noite do Meu Bem (2015) e arriscou a ficção histórica em Era no Tempo do Rei (2007) e Os Perigos do Imperador (2022), este premiado com o Jabuti de Romance em 2023. Alguns livros são feitos a quatro mãos com a escritora Heloísa Seixas, sua mulher, como Terramarear (2011).
Os livros dele ganharam edições nos Estados Unidos, na Inglaterra, no Japão, na Alemanha, na Espanha e em vários outros países. Em 2021 recebeu o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra. No ano seguinte foi eleito para a cadeira 13 da própria Academia, na vaga de Sérgio Paulo Rouanet, e tomou posse em março de 2023.
Em 2025 voltou à bossa nova pela porta de Tom Jobim. O ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim reúne quase cem crônicas sobre o maestro, com histórias da música dos anos 1950 e 1960 e da relação dele com o país. O livro ganhou o Jabuti de Livro do Ano, o prêmio principal da edição.
Foto: TV Brasil / CC BY 3.0 via Wikimedia Commons
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